terça-feira, 22 de maio de 2007

Alivio Imediato

o melhor esconderijo, a maior escuridão
já não servem de abrigo, já não dão proteção
a Líbia bombardeada
a libido e o vírus
o poder, o pudoros
lábios e o batom

que a chuva caia como uma luva,
um dilúvio, um delírio
que a chuva traga alívio imediato
que a noite caia de repente
caia tão demente quanto um raio
que a noite traga alívio imediato

sábado, 5 de maio de 2007

Soneto da separação




De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.


De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.


De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.


Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.


(Vinicius de Moraes)