o melhor esconderijo, a maior escuridão
já não servem de abrigo, já não dão proteção
a Líbia bombardeada
a libido e o vírus
o poder, o pudoros
lábios e o batom
que a chuva caia como uma luva,
um dilúvio, um delírio
que a chuva traga alívio imediato
que a noite caia de repente
caia tão demente quanto um raio
que a noite traga alívio imediato
terça-feira, 22 de maio de 2007
sábado, 5 de maio de 2007
Soneto da separação

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinicius de Moraes)
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Provocações

A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz. Foram lhe provocando por toda a vida. Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme. Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava. Estavam lhe provocando. Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça. Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa. Terra era o que não faltava. Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma. Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação. Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano...
Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu.
E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele:
- Violência, não!
(Luís Fernado Veríssimo)
quarta-feira, 25 de abril de 2007

A fé desesperada da preocupação
se aposa do meu corpo nu
Desprotegido de qualquer couraça
Me entrego a um sentimento de luz
se aposa do meu corpo nu
Desprotegido de qualquer couraça
Me entrego a um sentimento de luz
Um anjo vem me visitar
e me abraça com suas asas
Envolvida dessa forma
sou transportada pro outro lado da vida
aquele que é divino
que não existe
que se faz dentro de nós
e me abraça com suas asas
Envolvida dessa forma
sou transportada pro outro lado da vida
aquele que é divino
que não existe
que se faz dentro de nós
Depois de uma noite com céu estrelado
O sol nasce rombendo a escuridão dessa vida
E as palavras não se fazem mais necessárias
Fazendo sombra, fazendo luz...

Vagando na neblina que recobre essa máscara
Um museu que faço questão de assombrar
Olhando para uma imagem rara
Esse filme mal digitalizado que não para de me quebrar
Um anjo de meia asa
Caminhando sem rumo
Vestido de trapos do passado
Carrega o infortunio de existir
Por mais que tudo esteja gastado
Costura a esperança para percistir
Não é hora ainda de voltar para casa
Ou se deitar em um túmulo
Ingrata vontade de conquista
Traz aquilo que machuca
Na real, à frente da minha vista
Eu sei que tudo caduca...
quarta-feira, 18 de abril de 2007
Seu sorriso
terça-feira, 17 de abril de 2007
Labirinto de Espelhos

Talvez eu não consiga me definir
As pessoas se arriscam, e as vezes falam coisa que me surpreende muito
Será eu sou essa pessoa que elas veem?
Será que a pessoa do outro lado do espelho é a mesma que esta aqui?
Será que minha máscaras estão o tempo todo em mim?
Tenho medo de estar vivendo num labirinto de espelhos
Onde só me encontro perdida em mim mesma
Sem ao menos saber qual é minha verdadeira imagem
Mas mesmo em meio a tanta desordem
Existem aquela pessoa que acha um atalho que desconheço
Para um lugar além do infinito!
As pessoas se arriscam, e as vezes falam coisa que me surpreende muito
Será eu sou essa pessoa que elas veem?
Será que a pessoa do outro lado do espelho é a mesma que esta aqui?
Será que minha máscaras estão o tempo todo em mim?
Tenho medo de estar vivendo num labirinto de espelhos
Onde só me encontro perdida em mim mesma
Sem ao menos saber qual é minha verdadeira imagem
Mas mesmo em meio a tanta desordem
Existem aquela pessoa que acha um atalho que desconheço
Para um lugar além do infinito!
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